Saldo do primeiro dia de votação no Egito é positivo, dizem EUA

28/11/2011 19:04

 

Avaliação é de que não houve incidentes graves e comparecimento foi alto.

Eleição parlamentar é a primeira após a queda da ditadura de Mubarak.

 


O primeiro dia de votação nas eleições parlamentares do Egito foi "bastante positivo", sem incidentes e com alto comparecimento às urnas, informou nesta segunda-feira (28) o Departamento de Estado dos EUA.

As urnas fecharam às 21h locais (17h), duas horas após o previsto, por conta de atrasos na distribuição de cédulas em algumas localidades.

Os egípcios votaram em massa e com calma, "satisfeitos" de participar das primeiras eleições legislativas desde a queda do ditador Hosni Mubarak, após uma semana de violentos confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

O movimento da Irmandade Muçulmana, a força política mais bem estruturada do país, formou um partido, "Liberdade e Justiça", para se apresentar a esta votação da qual espera ser o grande vencedor.

Eleitora egípcia mostra dedo sujo de tinta após votar nesta segunda-feira (28) no Cairo (Foto: AP)Eleitora egípcia mostra dedo sujo de tinta após votar nesta segunda-feira (28) no Cairo (Foto: AP)

"Esperamos ganhar. Trabalhamos com o povo há muito tempo", disse à France Presse um voluntário, Fayiz Mohamed Sharawi, após sair do centro de votação do distrito Manian do Cairo.

Muito antes de ser iniciada a votação, filas de eleitores se formavam diante dos centros de votação em vários bairros do Cairo e de Alexandria (norte). À tarde, tudo continuou tranquilo em frente a diferentes colégios eleitorais, enquanto o Exército e a polícia patrulhavam discretamente.

"Estamos surpresos porque muita gente veio votar, graças a Deus", disse Abdel Moez Ibrahim, que dirige a Alta Comissão Judicial para as Eleições (HJEC), completando que houve problemas de segurança.

Eleitora observa cédula durante a votação nesta segunda-feira (28) no Cairo (Foto: AP)Eleitora observa cédula durante a votação nesta segunda-feira (28) no Cairo (Foto: AP)

"Antes eu não costumava votar. Nossos votos não contavam", disse à AFP Mona Abdel Moneim, uma das muitas mulheres que afirmava votar pela primeira vez, no distrito Shubra do Cairo.

"Estou votando pelo futuro do Egito", declarou Yusuf, um engenheiro da computação, no distrito de Al Raml de Alexandria, porto do Mediterrâneo e segunda maior cidade do Egito.

"São as primeiras eleições livres no nosso país. Espero que também sejam as primeiras eleições limpas", disse à France Presse.

O pleito desta segunda-feira ocorreu em um terço dos estados do Egito - englobando 17,5 milhões dos quase 40 milhões de eleitores potenciais - principalmente em Cairo, Alexandria e Luxor.

Cada turno dessas eleições ocorre durante dois dias, fazendo com que os centros de votação permaneçam abertos na terça-feira.

O complexo sistema eleitoral egípcio prevê uma divisão em três regiões do país, que com mais de 80 milhões de habitantes, é o mais povoado do mundo árabe.

O voto para a Assembleia Popular (Câmara dos Deputados) ocorrerá até 11 de janeiro, e os resultados completos serão conhecidos dois dias depois. Posteriormente, de 29 de janeiro a 11 de março, serão realizadas eleições para a Shura, a câmara alta consultiva.

A campanha eleitoral foi marcada por um aumento da impugnação ao poder militar que governa o país desde a queda de Mubarak, com confrontos que deixaram 42 mortos e mais de 3.000 feridos em enfrentamentos entre manifestantes e policiais nos últimos dias.

Depois das eleições na Tunísia e no Marrocos, o Egito é o terceiro país a realizar eleições maiores em uma região atingida pela "Primavera Árabe".

O marechal Hussein Tantawi, chefe do Estado de fato, criticado há várias semanas por milhares de manifestantes, pediu no domingo que os egípcios votassem em massa "para fazer surgir um Parlamento equilibrado".

Além da Irmandade Muçulmana, há uma dezena de partidos salafistas (fundamentalistas muçulmanos), liberais ou de esquerda, mas muito recentes e ainda mal consolidados.

Diversos deputados do ex-partido de Mubarak, atualmente ilegal, apresentam-se como independentes ou em novos partidos.

O futuro Parlamento terá de nomear uma comissão para redigir a nova Constituição.

 

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