A história do Carnaval de Jequitinhonha


Celebrado nas margens do rio, o carnaval jequitinhonhese recebe pessoas de toda a região. É formado por blocos e escolas de samba, que começaram a desfilar desde 1983. Unicampo, Vaticano, São Miguel e Carrasco do Jequi eram escolas que faziam o carnaval da cidade. “Nossa cidade fica como que um formigueiro todo colorido com açúcar dentro” conta José Reinaldo um dos animadores da festa.

Mulinha

“Um trabalhador simples achou que uma mula puxando um a carroça, com uma noiva e um noivo seria uma brincadeira interessante. Assim foi que Geraldo Capiau criou a brincadeira da mulinha”. Esta historia é contada hoje por um dos responsáveis desta tradição carnavalesca de Jequitinhonha. A mulinha surgiu na década de 40, sendo suprimida pelos carnavais de 50 e 60 onde a rua foi substituída pela tradição dos bailes fechados em clubes da cidade. Vinte anos depois, a alegria das largas ruas jequitinhonheses estava resgatada. A história desta volta ,até parece uma parlenda: surgiu um clube de futebol, o UNICAMPO; do clube, um bairro, uma escola de samba; e da escola de samba, a volta da tradição da mulinha. O bloco carnavalesco, além da tradicional canção da mulinha, faz a trilha sonora da festa popular de Jequitinhonha. São marchas de carnaval antigas tocadas por dois surdos, duas caixas, um naipe de metais e três vocais.

REFRÃO:

Ei êi ê Ei ei á

Montado na mulinha, devagar eu chego lá

Ei êi ê Ei ei á

Montado na mulinha, devagar eu chego lá

Eu arranjei  uma mulinha pra brincar no carnaval

Ei êi ê Ei ei á

A orelha era de mola

E o rabo é de jornal

Ei êi ê Ei ei á

Folia em Modificação

Carnaval é, para muitos, sinônimo de diversão. Durante décadas o carnaval de Jequitinhonha tem animado as gerações de uma maneira diferente, seja nos bailes, escolas de samba ou blocos carnavalescos.

O carnaval é uma festa que envolve muita gente e muita diversão. Leva alegria e sorrisos às faces das pessoas. Em Jequitinhonha não poderia ser diferente. O carnaval sempre foi um marco no calendário da cidade. Há cerca de 40 anos atrás, a festa carnavalesca jequitinhonhense era comemorada por meio de bailes realizados nos clubes da cidade. O Sindicato, atual Unobenje, era freqüentado por pessoas menos favorecidas na escala social, que não tinham condições de pagar a entrada na festa do Automóvel Clube, o qual era mais restrito à alta sociedade local. Apesar da distinção econômica, em ambos as pessoas iam fantasiadas e divertiam-se muito ao som das típicas e inesquecíveis marchinhas carnavalescas. “As pessoas jogavam talco, confetes, serpentinas e lança perfumes umas nas outras”, conta o servidor público e folião nato de Jequi, Geraldo Chaves de Oliveira, o Gerinha.

Além da diversão, o carnaval também movimentava a cidade economicamente. Assim como hoje, há décadas atrás, as festas carnavalescas traziam muito lucro para cidade, além de provocarem o envolvimento de toda sociedade. “Era um marco turístico”, afirma Gerinha.

Com o fim dos bailes, foliões que queriam inovar o carnaval local e dar um novo gás à comemoração reuniram-se em grupos e, inspirados no carnaval do Rio e de São Paulo, fundaram três escolas de samba: o Carrasco do Jequi, Unicampo e Vaticano. Anos depois a escola Vaticano daria origem à São Miguel. Ambas contavam com carros alegóricos, fantasias e alegria.

A paixão pelo carnaval e pelas escolas de samba era tanta que os próprios cidadãos locais custeavam o trabalho. Nem mesmo a falta de apoio financeiro da prefeitura prejudicava a festa. “Se precisávamos de mil reais para comprar plumas, tirávamos do nosso bolso”, conta Marielza Paiva Chaves, uma das organizadoras e foliãs da escola de samba Unicampo e Cerro Porteño-PAR.

Mesmo com pouco dinheiro, as escolas não perdiam seu brilho. A cada ano, elas cresciam mais e mais. Aliás, as escolas cresceram de tal modo que ficou difícil acompanhar seu desenvolvimento. Tornou-se impossível para os foliões que organizavam as escolas arcarem com as despesas sem nenhum apoio institucional, sendo este um dos motivos do seu fim. Sobre essa questão, inclusive, Marielza, ao ser questionada sobre a hipótese de haver novamente escolas de samba, afirma que, se as escolas voltassem, hoje seria mais fácil: “Saberíamos de olhos fechados onde estavam os paetês, arranjos de cabelo e tudo que precisássemos. Mas precisaríamos de um apoio político financeiro”.

Passados os bailes nos clubes da cidade e as contagiantes escolas de samba, hoje a cidade conta com um grande número de blocos carnavalescos. Esses surgiram em Jequitinhonha pelo desejo que os organizadores das escolas de samba tinham de permanecer curtindo e comemorando o carnaval, que já se tornara tradição em Jequi. Assim surgiram o bloco da Mulinha (do bairro Unicampo), Enxame (com mais de vinte anos), o Kambaliandos do Jequi (muito popular entre os jovens), entre muitos outros que contagiam os foliões. A cada ano, o número de blocos da cidade cresce mais. Algumas pessoas chegam até a organizar seus próprios blocos.

Diferentemente de outras épocas, em que as marchinhas predominavam, hoje, o som que anima os foliões de Jequi é o axé. Mas o ritmo cria polêmicas, mesmo entre os jovens: “Acho que o carnaval poderia ser mais cultural. As pessoas só escutam Parangolé ou Chiclete com Banana. É preciso resgatar a cultura de Jequi”, afirma o jovem jequitinhonhense Anderson, conhecido como Braúna. Com o passar do tempo e das gerações, o carnaval de Jequitinhonha passou por muitas mudanças quanto à maneira dos foliões curtirem. Mas, independente da época, sempre foi um grande marco na história de Jequitinhonha. Sem ele e sem a participação em massa da população, nossa cidade não seria o que é hoje.

 

Fotos e Fontes para pesquisa:
Revista Jornada Cultural Jequitinhonha (Ano 2008)
Assessoria de comunicação Jequitinhonha 200 anos (Ano 2011)
Site JequiDoc
Do JequiNoticias Jequitinhonha

 

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